Quando se trata de saúde mental, o debate da natureza versus a criação se mantém com força. Com a melhora da tecnologia, as imagens do fMRI (imagem funcional de ressonância magnética) e da sequenciação do genoma demonstram que as doenças mentais são mais influenciadas pela biologia do que nunca antes se acreditou.

Mas, a influência da experiência de vida é indiscutível. Enquanto a tendência histórica para culpar as mães pela doença mental de uma criança crescida (ela era muito fria, muito sufocante, etc) tem sido, felizmente, reduzida em grande parte, não há como negar que as experiências da infância desempenham um papel na saúde mental de adultos. Mas o que é mais importante: a natureza ou a criação?

Natureza versus Criação

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Num estudo deste ano, a prestigiosa revista Nature Genetics se comprometeu a sublime tarefa de reanalisar praticamente todos os estudos em gêmeos realizados nos últimos 50 anos: 2.748 estudos, para sermos exatos, que inclui mais de 29 milhões de gêmeos.

E, por que estudos individuais? Gêmeos monozigóticos (isto é, idênticos) têm a mesma composição genética, tal como se desenvolveram a partir do mesmo ovo fertilizado. Assim, quaisquer diferenças entre os gêmeos são devidas, por extensão, ao meio ambiente.

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Então, qual é a resposta no debate natureza-criação? Segundo os pesquisadores, é cerca de 50 a 50. Especificamente, cerca de 49% de variação entre indivíduos é devido à genética e 51% é devido ao meio ambiente.

Podemos chamar isso de um empate entre natureza e criação, mas, ao mesmo tempo, o estudo incluiu a herdabilidade de características de todo o espectro, desde a altura (que é principalmente genética) ao que os pesquisadores apelidaram de “valores sociais” (que são, na maior parte, do ambiente).

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Mas o que a média de 50 a 50 nos diz? Em suma, as conclusões que podemos tirar são menores do que as perguntas que o estudo mostra. Em geral, perguntar se a porcentagem de um determinado traço é genética ou ambiental é apenas uma maneira de olhar para o equilíbrio natureza-criação, e talvez o menos efetivo.

Outra visão é a de que a genética predispõe o indivíduo ao distúrbio, como a depressão ou transtorno obsessivo-compulsivo, e o ambiente sugere o equilíbrio. Numa analogia menos delicada, a genética carrega a arma e o ambiente puxa o gatilho.

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Contudo uma outra maneira de olhar para a questão da natureza versus a criação é: a genética determina uma série de possíveis resultados e o meio ambiente determina o intervalo de terras individuais; por exemplo, em termos de QI, a genética determina a gama de possíveis capacidades intelectuais, e o ambiente a nutrição em anos de educação, o número de livros em casa, enfim, determina quão longe dentro desse intervalo o QI vai subir.

Em suma, a conclusão de 50 a 50 é mais complicada do que à primeira vista. Mas, olhe para esse número de outra maneira e verá que, de qualquer forma, os pais sempre serão culpados.

Referência

Polderman, TJC, et al.  (2015). Meta-analysis of the heritability of human traits based on fifty years of twin studies. Nature Genetics. doi:10.1038/ng.3285

Fonte Quick and Dirty Tips
Tradução livre de autoria do blog.

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